Mundo Capitalista



A industria moderna transformou a oficina do antigo mestre da corporação patriarcal na grande fábrica do industrial capitalista. Massas de operários amontoados na fábrica, são organizados militarmente. Como soldados da industria, estão sob vigilancia de uma hierarquia completa de oficiais e sub-oficiais. Não são apenas escravos da classe burguesa, do Estado Burgues, como também, diariamente, a toda hora escravos da maquina, do contramestre e sobre tudo, do dono da fábrica. E esse despotismo é tanto mais mesquinho, odioso e exasperador quanto maior é a franqueza com que proclama ter no lucro, o seu objetivo exclusivo.
A Globalização e a bipolaridade que divide o mundo
Os que não comem
e
Os que não dormem (com medo da revolta dos que não comem)


Antes da revolução industrial as tarefas realizadas pelo bicho homem eram controladas pela majestosa mãe natureza. Todos os seus afazeres, desde os mais simples aos mais complexos, somente existiam e eram possíveis de serem realizados graças aos fenômenos naturais.
Acordavam ao raiar do dia, realizavam suas atividades no decorrer dele e iam dormir no fim do mesmo.. plantavam no verão, colhiam na primavera.. em suma, a humanidade era totalmente controlada e dependente da natureza.
Entretanto, com o advento da revolução industrial, essa “inércia” sofreu um tremendo golpe: a natureza já não era mais a controladora da situação, o homem havia dominado ela, podia, agora modifica-la, transforma-la significamente; “o ser humano era o senhor e dono da natureza.”
Assim, quebrava-se as amarras.. rompiam-se as correntes.. a espécie humana estava livre dela, em contrapartida, tornava-se prisioneiros de uma outra força, algo invisível que, a princípio, não a percebiam; como diria o saudoso Drummond: “sou um simples operário [...] escravo de ponto e horário”.
Um ínfimo aparelho era o “novo senhor” das atividades diárias dos “donos da natureza”. Este aparelho chama-se: relógio. Contudo, havia uma outra força, mais potente do que esta, ressaltando, que ela controla a primeira força. Karl Marx a denominava como sendo os donos dos meios de produção; este, por sua vez, passou a ser “dono do tempo”, ditavam as horas em que os reles operários deviam vender as suas forças de trabalho.
Portanto, houve um equívoco histórico: acreditando que haviam se libertado de uma “prisão”, mal perceberam que haviam caído em outra; muito mais feroz e escravizadora do que as forças naturais. Os homens estavam e estão amordaçados nas horas, minutos e segundos que os patrões lhes impõem. Será que algum dia poderemos afirmar que, de fato, somo livres? Ou, saindo desta prisão cairemos em uma outra armadilha? Reflitam e tirem suas próprias conclusões acerca disto.