
Post Scriptum
Quem sou eu?
De onde Venho?
Sou Antonin Artaud
e basta eu dizê-lo
como só eu o sei dizer
imediatamente
verão meu corpo atual
voar em pedaços
e juntar-se
sob dez mil aspectos notórios
Um novo Corpo
no qual nunca mais
O Poderão Esquecer
A BUSCA DA FECALIDADE.
Onde cheira merda, cheira ser.
O homem poderia muito bem não cagar,
não abrir a maldita bolsa anal
mas preferiu cagar assim como preferiu viver em vez de aceitar Viver morto.
Pois Para não cagar, teria que consentir em Não ser,
mas ele não foi capaz de se decidir a perder o ser,
ou seja, morrer vivo.
Existe no ser, algo particularmente tentador para o homem
algo que vem a ser justamente
MERDA.
Para existir, basta abandonar-se ao ser
mas para viver
é preciso ser alguem,
e para ser alguem, é preciso ter um OSSO
É Preciso não ter medo de mostrar o OSSO e arriscar-se a perder a Carne.
O homem sempre preferiu a carne à terra dos Ossos.
Como só havia terra e madeira de ossos ele viu-se obrigado a ganhar a carne,
só havia Ferro e Fogo
e nenhuma MERDA
e o homem teve medo de perder a merda
ou antes, desejou a merda e a ela, sacrificou o sangue.
Para ter a Merda, ou seja, a carne
onde só havia Sangue e um terreno baldio de ossos
Onde não havia mais nada a ganhar, mas apenas algo a perder
A VIDA